Cultura - Totem
No Paço Municipal, em um fim de tarde de luz dourada e emoção coletiva, a Estância Turística inaugura o Totem Cultural e Turístico “100 dias para os 200 anos” e transforma o cotidiano em celebração da própria história!
Há dias em que a cidade parece respirar de outro modo.
O dia 4 de maio de 2026 foi um deles, em Tatuí.
Sob um céu aberto, de luz intensa e ao mesmo tempo serena, o Paço Municipal foi lentamente se convertendo em cenário de algo que ultrapassava uma cerimônia oficial. Havia ali uma atmosfera difícil de nomear apenas pela razão: uma mistura de pertencimento, expectativa e a sensação sutil de que o tempo, por instantes, desacelerava para permitir que a história fosse observada de perto.
Autoridades municipais, representantes da gestão pública, apoiadores do projeto, lideranças religiosas, artistas, convidados e profissionais da imprensa reuniram-se em torno de um mesmo gesto: testemunhar a inauguração do Totem Cultural e Turístico “100 dias para os 200 anos”, marco oficial das comemorações do bicentenário de Tatuí.
E naquele entardecer, a cidade parecia colaborar com a cena.
A luz do sol, já mais baixa, atravessava o espaço com uma suavidade quase contemplativa, como se também fizesse parte da narrativa que se desenhava ali.
Um marco que nasce da própria cidade
O totem integra o projeto “Azulejaria e Piso Cerâmico Comemorativos - Patrimônios Culturais de Tatuí nos 200 anos da cidade”, uma iniciativa que transforma memória em linguagem visual permanente e inscreve a história local no espaço urbano, de forma sensível e duradoura.
Mais do que um equipamento urbano, ele se apresenta como uma narrativa em pé – estruturada em eixos temáticos que atravessam diferentes dimensões da identidade tatuiana: da fé à literatura, da música ao patrimônio natural e imaterial, da educação ao esporte, das tradições às expressões culturais contemporâneas.
Cada fragmento cerâmico parece carregar algo além da imagem: um fragmento de pertencimento.
Como se a cidade, ao se representar, também se reconhecesse.
O som que atravessa o instante
E então a música fez-se presença.
A apresentação do Bravo Electro de Tatuí surgiu no espaço como uma vibração delicada e envolvente, conduzida com precisão e sensibilidade. O som não apenas preencheu o ambiente – ele pareceu colorir o próprio momento, com uma linguagem leve, quase etérea, que unia emoção e celebração.
Era um som que não se impunha.
Ele envolvia.
Como se fosse uma pluma sonora tocando o tempo.
Entre o símbolo e o cotidiano
A inauguração não se limita ao impacto visual ou à ocasião comemorativa. O totem nasce como equipamento cultural e turístico permanente, pensado para dialogar com quem passa, com quem vive e com quem retorna à cidade.
Ele não celebra apenas o passado – ele o mantém em circulação.
Sua estrutura reúne a contribuição de artistas, fotógrafos e agentes culturais locais, em diálogo com iniciativas institucionais e parcerias, que fortalecem a valorização da produção cultural tatuiana. A execução dos elementos cerâmicos conta com apoio da Indústria Strufaldi, empresa sediada no município e referência no setor, reafirmando a integração entre poder público e iniciativa privada, na construção de projetos culturais de impacto coletivo.
O resultado é uma obra que ultrapassa a função informativa e inscreve-se no espaço urbano como memória viva.
O tempo que começa antes da data
O Totem “100 dias para os 200 anos” marca simbolicamente a contagem rumo ao bicentenário de Tatuí – não como uma espera, mas como um processo em movimento.
O projeto reforça uma ideia simples e profunda ao mesmo tempo: o bicentenário não começa no futuro. Ele já começou.
E naquele 4 de maio, isso deixou de ser apenas conceito.
Virou presença.
Quando a cidade reconhece a si em sua própria luz
À medida que o evento avançava, o entardecer ganhava tons mais suaves.
O espaço parecia desacelerar, junto ao sol. As conversas, os olhares e os silêncios formavam uma espécie de composição invisível, onde tudo parecia ocupar seu lugar, com naturalidade.
Não era apenas uma inauguração.
Era um reconhecimento coletivo.
Como se, por alguns instantes, Tatuí se observasse por dentro.
Plano, cultura e permanência
A iniciativa integra um movimento mais amplo de planejamento cultural e turístico do município, estruturado pelo Plano Diretor de Turismo, recentemente convertido em lei.
Mas naquele momento, o planejamento não aparecia como documento.
Ele aparecia como base silenciosa de algo maior: a experiência viva da cultura já vivida acontecendo diante das pessoas.
Uma cidade que escreve o próprio tempo
Em tempos de aceleração e dispersão, Tatuí escolhe outro gesto: o de marcar o tempo com consciência e delicadeza.
Não apenas com políticas públicas ou diretrizes, mas com símbolos que ocupam o espaço urbano e convidam à permanência do olhar.
O totem, nesse sentido, não é apenas um marco do bicentenário.
É uma afirmação.
De que uma cidade também se constrói, quando escolhe lembrar de si mesma.
E ficou o fim de tarde
Quando o evento se encerrou, a luz já era outra.
Mais baixa. Mais dourada. Quase silenciosa.
E havia, naquele instante, algo que não se registra em relatório nem em decreto – mas que permanece na memória de quem esteve presente: a sensação de que certos momentos não apenas acontecem, mas ficam.
Como se a cidade, por um breve intervalo, tivesse aprendido a falar em poesia.
Por fim
A programação cultural e turística da Estância Turística de Tatuí segue ao longo de maio de 2026, com atividades gratuitas e abertas ao público, em diferentes espaços do município.
A agenda completa, bem como eventuais atualizações, pode ser consultada no site oficial da Prefeitura da Estância Turística de Tatuí: https://www.tatui.sp.gov.br
Bernadete do Carmo Camargo Elmec
Editora da Revista Hadar
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