Saúde - Sarampo
Após eliminar a doença em 2016, Brasil enfrenta reintrodução do vírus, recupera certificação internacional e reforça: a vacinação continua sendo a principal barreira contra novos surtos
Por alguns anos, o sarampo parecia uma ameaça superada no Brasil. Em 2016, o país recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde – braço regional da Organização Mundial da Saúde – o certificado de eliminação da doença, um marco histórico conquistado após décadas de campanhas de imunização, coordenadas pelo Ministério da Saúde.
Mas a eliminação não significava erradicação.
E foi justamente essa distinção técnica que, anos depois, explicaria o retorno de uma doença altamente contagiosa, que voltou a preocupar autoridades sanitárias, no país e no mundo.
Eliminação não é erradicação – e o vírus encontrou espaço
A eliminação do sarampo indica a interrupção da transmissão contínua, dentro de um território. No entanto, enquanto o vírus continuar circulando em outras partes do mundo, há sempre o risco de reintrodução através de casos importados.
Foi o que ocorreu, a partir de 2018.
Com a queda progressiva nas coberturas vacinais – fenômeno observado não apenas no Brasil, mas em diversos países – o vírus voltou a encontrar indivíduos suscetíveis. Casos importados deram origem a surtos, levando o Brasil a perder, em 2019, o certificado de eliminação concedido ao país anos antes.
Dados do Ministério da Saúde, da Organização Mundial da Saúde e do UNICEF apontam a redução da cobertura vacinal como principal fator, para o ressurgimento da doença.
A meta recomendada internacionalmente é de 95% de cobertura, índice necessário para manter a chamada imunidade coletiva – barreira que impede a circulação do vírus.
Um novo avanço – e um alerta permanente
Após intensificar campanhas de vacinação e vigilância epidemiológica, o Brasil voltou a interromper a circulação do vírus. Em 2024, o país reconquistou o certificado de eliminação do sarampo, novamente concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde.
A conquista, no entanto, vem acompanhada de um alerta claro: o risco permanece enquanto houver baixa adesão vacinal e circulação do vírus, em outras regiões do mundo.
Uma das doenças mais contagiosas que existem
O sarampo é considerado uma das doenças infecciosas mais transmissíveis conhecidas.
A disseminação ocorre por meio de: Gotículas respiratórias (fala, tosse, espirro). Contato com secreções contaminadas. Permanência em ambientes onde o vírus pode ficar suspenso no ar, por até duas horas.
Estima-se que uma pessoa infectada possa transmitir o vírus para até 90% das pessoas não vacinadas, com quem tenha contato próximo.
Sintomas e possíveis complicações
Os primeiros sinais podem confundir-se com infecções respiratórias comuns: febre alta, tosse, coriza, conjuntivite.
Dias depois, surgem manchas vermelhas pelo corpo, característica marcante da doença.
Embora muitas pessoas recuperem-se, o sarampo pode evoluir com complicações graves, especialmente em crianças pequenas, idosos e imunossuprimidos: pneumonia, otite, encefalite (inflamação cerebral), e em casos extremos, óbito.
Quem se deve vacinar – e quando
A vacina é segura, eficaz e oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
De acordo com o Ministério da Saúde, o esquema vacinal é:
- 12 meses: 1ª dose (tríplice viral)
- 15 meses: 2ª dose (tetraviral ou tríplice + varicela)
Em situações específicas, como surtos, pode ser aplicada uma dose antecipada, a partir dos 6 meses de idade (dose zero).
Para outras faixas etárias: até 29 anos: duas doses comprovadas; de 30 a 59 anos: pelo menos uma dose.
A doença não é exclusiva da infância
Embora frequentemente associada ao público infantil, o sarampo pode atingir pessoas de qualquer idade não vacinadas. Em adultos, inclusive, há maior risco de evolução, com complicações.
Quem já teve sarampo pode tê-lo novamente? Em regra, não. A infecção natural costuma gerar imunidade duradoura ao longo da vida, tornando a reinfecção extremamente rara.
O que fazer em caso de suspeita
Diante de sintomas compatíveis, a orientação das autoridades de saúde é imediata: Procurar atendimento médico. Evitar contato com outras pessoas. Permanecer em isolamento. Seguir as recomendações clínicas.
O período de transmissão ocorre aproximadamente entre quatro dias antes e quatro dias após o surgimento das manchas na pele.
Prevenção: uma decisão individual com impacto coletivo
A vacinação continua sendo a medida mais eficaz de proteção.
Mais do que uma escolha individual, trata-se de um compromisso coletivo – essencial para proteger: Crianças pequenas ainda não completamente imunizadas. Pessoas com contraindicação à vacina. Grupos mais vulneráveis.
Informação como ferramenta de saúde pública
O enfrentamento do sarampo vai além da medicina. Ele passa, necessariamente, pela qualidade da informação.
Em um cenário marcado pela circulação de conteúdos imprecisos, reforçar dados científicos e orientar a população com clareza tornou-se parte fundamental das estratégias de saúde pública.
Entre conquistas e desafios
A história recente do sarampo, no Brasil, é um retrato claro de como avanços podem ser revertidos – e novamente conquistados.
A eliminação da doença, a reintrodução do vírus e a posterior recertificação revelam um ciclo que depende diretamente da adesão da população às medidas de prevenção.
E deixam uma mensagem inequívoca: a vigilância precisa ser contínua. Porque, quando se tratam de doenças evitáveis, o maior risco não é apenas o vírus – é o esquecimento.
Fonte: https://www.gov.br/
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