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Estilo - Power Dressing

Poder que se veste

Power Dressing: a elegância estratégica que retorna às ruas e reafirma o poder da imagem

Em determinados momentos da história, a moda deixa de ser apenas expressão estética para tornar-se linguagem social. A forma de vestir-se passa a comunicar ideias, valores e posicionamentos, antes mesmo de que qualquer palavra seja dita. É nesse território simbólico que se insere o chamado power dressing, estilo que ressurge com força nas passarelas e nas ruas em 2026, reafirmando a roupa como instrumento de presença, identidade e autoridade.

Traduzido literalmente como “vestir-se para o poder”, o conceito nasceu no final da década de 1970 e ganhou força ao longo dos anos 1980, período marcado por profundas transformações sociais e pela crescente presença feminina em ambientes corporativos e políticos, tradicionalmente dominados por homens. A moda acompanhou esse movimento histórico. A alfaiataria estruturada, os blazers com ombros marcados, as saias lápis e os ternos femininos passaram a compor uma estética que projetava segurança, profissionalismo e autonomia: a imagem impunha um visual forte e significativo.

Mais do que tendência, tratava-se de uma estratégia visual. A roupa assumia o papel de reforçar a autoridade feminina, em espaços de decisão.

Figuras públicas, que se tornaram símbolos dessa estética, ajudaram a consolidar o conceito. A primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, conhecida por seus ternos estruturados e em cores marcantes, transformou a alfaiataria em assinatura política. Já a Princess Diana, nos anos finais de sua trajetória pública, reinterpretou a elegância do poder com cortes refinados e presença sofisticada. No imaginário contemporâneo, o arquétipo do poder no vestir também ganhou projeção na cultura pop, com a personagem Miranda Priestly, interpretada por Meryl Streep, no filme The Devil Wears Prada – uma figura que simboliza autoridade, precisão estética e domínio do ambiente profissional. Décadas depois, essa estética retorna reinterpretada.

O novo poder é silencioso

Se o power dressing clássico era marcado por forte impacto visual – ombreiras imponentes, acessórios marcantes e silhuetas dramáticas –, sua versão contemporânea revela uma abordagem mais sofisticada e minimalista.

A moda atual privilegia cortes precisos, tecidos de qualidade e composições equilibradas, nas quais a elegância é construída pela simplicidade bem executada. Esse movimento dialoga com outra tendência crescente no universo da moda, conhecida como quiet luxury, conceito que valoriza sofisticação discreta, excelência de acabamento e design atemporal.

Nas passarelas internacionais das temporadas recentes – especialmente, nas coleções de outono-inverno 2025 e 2026 – a alfaiataria feminina voltou a ocupar posição central. Blazers alongados, calças de cintura alta, conjuntos monocromáticos e casacos estruturados aparecem reinterpretados em tecidos mais leves e modelagens contemporâneas, reafirmando a elegância como elemento de presença e confiança.

Essa nova estética, frequentemente chamada por analistas de moda de “quiet power dressing”, traduz um tipo de poder que não depende de excessos. Ele se manifesta na segurança do gesto, na precisão das linhas e na harmonia entre forma e atitude.

As peças que definem o estilo

Apesar das transformações, ao longo das décadas, alguns elementos continuam sendo a base do power dressing contemporâneo.

Entre eles, destacam-se:

- Blazer estruturado

- Símbolo máximo da alfaiataria moderna, imprime sofisticação imediata ao visual.

- Calça de alfaiataria de cintura alta

- Confortável e elegante, tornou-se peça-chave da moda atual.

- Camisa clássica

Preferencialmente branca ou em tons neutros, traz equilíbrio e refinamento.

Conjuntos monocromáticos

Looks compostos por uma única tonalidade criam impacto visual e elegância minimalista.

Casacos de corte reto

Peças longas e estruturadas completam o visual, com imponência discreta.

A força desse estilo reside justamente na clareza de sua proposta: menos ornamento, mais precisão.

Moda como discurso cultural

A moda contemporânea tem reafirmado um princípio que tem atravessado séculos de história do vestuário: vestir-se é também comunicar.

Escolhas aparentemente simples – o corte de um blazer, a paleta de cores, a estrutura de uma silhueta – podem revelar posicionamentos, valores e formas de ocupar o mundo. Nesse sentido, o retorno do power dressing reflete um momento cultural em que autenticidade, identidade e presença voltam a ganhar centralidade.

A roupa deixa de ser apenas tendência passageira para tornar-se instrumento de expressão consciente.

Porque, em última análise, vestir-se com poder talvez signifique apenas isso: compreender que elegância não é apenas aparência – é atitude.

Fontes: https://claudia.abril.com.br/

https://www.voguearabia.com/

https://medium.com/

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